23 de setembro de 2017

Voltar para casa



Sabe aqueles dias em que bate a vontade de fugir, estar só, no meio do nada, num lugar desconhecido? Sentia-me assim...confusa, feito pássaro fora do ninho. Apetecia-me sumir.
Um amigo estranhou a minha ideia e disse que nessas horas o melhor era estar no meio de amigos. Respondi que eu era um bocado bicho do mato...sem ter muita certeza de ser essa a verdadeira razão.
À caminho do Sul, abri a janela do carro.
Senti o calor do Alentejo e o vento no rosto.
Lembrei_me, de súbito,da infância...em que meu maior prazer acontecia sempre em uma manhã de domingo.
Era quando o meu pai me concedia um desejo.
E eu pedia sempre o mesmo.
Leva_me à um lugar que eu não conheça, pai.
Tive essa mesma sensação hoje, apesar de nem ser um domingo.
Senti meu pai ao meu lado e com os olhos marejados, de súbito entendi o porquê de estar aqui
Vamos pai...hoje sou eu que te levo para um lugar que não conheces.

Meu pai sem querer me ensinou que o desconhecido também pode ser a minha casa.


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