7 de julho de 2017

Incompletude



Não há muito para dizer sobre o que acabou
decerto que não acabou de repente 
com aviso de sirenes ou rufar de tambores
há coisas que acabam já na semente
vão "desvivendo" naturalmente 
serenamente como as folhas de outono
que sabem que devem e como cair

Tive por ti uma esperança maior que o teu braço
dei-te mais do que devia, pois faziam-te confusão os desperdícios
e eu que sou feita deles
aprendi a economizar moedas, palavras e carinho

Por muitas vezes eu fui feliz no teu colo 
e no meio de nossas “incompletudes” eu até encontrei alento
mas não encontrei  as rimas para os poemas 
de que nem fazias questão

e a cada palavra que calo

morre um pouco o canto 

que me faz viver.



Fazem-me falta os desperdícios...



M. Lucas