31 de julho de 2017

O Capricho do Tempo


Agora que estás de volta
há mais amanheceres nos meus dias.
As borboletas também vieram 
desobedecendo as primaveras 
e um desassossego quase ritmado bate no peito,
teimosa e pontualmente antes de cada chegada tua.

Contemplo-te em silêncio,
meu modo mais sublime de dizer 
da "desimportância" das palavras 
à beira do teu abraço
E o meu interior perplexo
encharcado de cicatrizes e de receios 
desabrocha aos poucos e com delicadeza 
as paixões e os poemas que guardei só para ti




O tempo te trouxe de volta 

      e eu sorri...



M. Lucas

17 de julho de 2017

Desvarios




Dos desvarios de ontem
sobraram verdades desbotadas,
amores de um lado só.

e eu, que por ti jurei universos
engasguei-me numa ternura que não nasceu

é tarde demais para arrependimentos 
e as asas dos pássaros já voaram para longe dos versos
deixando em turbilhão as ilusões que criei por ti

....e eu que absurdamente tola, pensei um dia ser tão seguro 

este teu chão de estrelas cadentes.




M. Lucas

7 de julho de 2017

Incompletude



Não há muito para dizer sobre o que acabou
decerto que não acabou de repente 
com aviso de sirenes ou rufar de tambores
há coisas que acabam já na semente
vão "desvivendo" naturalmente 
serenamente como as folhas de outono
que sabem que devem e como cair

Tive por ti uma esperança maior que o teu braço
dei-te mais do que devia, pois faziam-te confusão os desperdícios
e eu que sou feita deles
aprendi a economizar moedas, palavras e carinho

Por muitas vezes eu fui feliz no teu colo 
e no meio de nossas “incompletudes” eu até encontrei alento
mas não encontrei  as rimas para os poemas 
de que nem fazias questão

e a cada palavra que calo

morre um pouco o canto 

que me faz viver.



Fazem-me falta os desperdícios...



M. Lucas

6 de julho de 2017

A tua boca





Era tão simples quando te esperava...

Porque não vinhas.

Era tão baço amar a outros...

Porque não vinhas

Eram tão mornos os beijos...

Porque não vinhas

Eram tão frios os dias...

Porque não vinhas


Porque vieste agora estragar a tristeza dos meus dias
e tatuar o verde dos teus olhos em minha retina?
Arrancas-me à força de existires, todos os poemas que guardei à chaves dentro do peito
E o sono foge-me à noite, simplesmente 

porque hoje

A tua boca existe.


M. Lucas