4 de junho de 2017

Dois Segundos


O meu vício é pelo precipício
Soltar as amarras do peito e navegar sem velas no vento do teu desejo
O teu vício é o do porto seguro
Manter-se ancorado ao riso fácil e ao beijo sem gozo

Mas se chegares, trazido por correntes do Sul, perdido.. 
apenas por um acaso… ou por algum destino caprichoso,
E deres à minha costa, ou ao meu ventre, ou ainda ao vão das minhas coxas...

Não te demores!
Eu aviso.

Permitir-te-ei apenas dois intermináveis segundos.
Passados estes, beberei do teu hálito e nascerá uma estrela
Esconderei meus seios em teu peito nu, e tu, 
o teu mastro em meu perfume
Que sangra um oceano de saudades.
Sentirei o gosto dos teus gemidos e a rigidez do teu desejo
E com doce brutalidade, gritarei (sem cessar) o teu nome, 
ultrapassando todos os verbos, marés e continentes.
Até que me faltem as forças e me baste a felicidade da tua boca, 
delicadamente poisada em meus olhos.

Não, não te demores!
Eu aviso.

Se deixares que passem os tais intermináveis dois segundos
Deixar-te-ei apenas partir se levares contigo meu mundo inteiro nos bolsos
E meus dois seios amarrados às linhas das tuas mãos.


Mª Lucas