7 de junho de 2017

Uma Carta de Amor



Recebi o teu poema em uma carta fechada

Saí de casa apressada, sem chaves, sem nexo, sem juízo, sem carta.

Um sol a brilhar no peito, e sonhos inteiros à brotar dos olhos.

A carta continuará na mesa…fechada, guardada, selada.

Não despencassem tanto as letras quanto as ilusões, eu até leria o poema

mas deixa que descansem... 

a carta na mesa, 

o sol no meu peito

e este tanto que me brotou dos olhos.



Mª Lucas



Hoje deixa-me a mim só ser feliz,
com todos ou sem todos
ser feliz com o pasto e a areia,
ser feliz com o ar e a terra,
ser feliz,
Contigo,
Com tua boca,
Ser feliz


Neruda_in "Ode ao Dia Feliz"




4 de junho de 2017

O Sorriso dele


Se me perguntassem qual a coisa mais bonita do mundo, eu diria:

"O sorriso"
Se me perguntassem a segunda, eu diria:

"O sorriso dele"

Se me perguntassem a terceira:....

"_Calma, eu diria; Ele está a sorrir. Esperem que pare...não há nada mais belo agora!




Mª Lucas

A Outra Face


Imagem : Selma del Bosco


Eu não quero o que me define. 
Eu quero o meu avesso
o meu defeito
a minha  sombra
Quero o meu dia menos bom
a minha fraqueza
o que me afasta do comum
do óbvio ululante
o que me diferencia
o que me "indefine"



Eu não quero a minha máscara
a minha maquilhagem
o meu brilho
muito menos o sorriso
Quero o meu choro
a minha vela
as minhas veias tortas
o meu mau feitio
o meu pessimismo

Eu não quero a minha perfeição
nem o meu verso
ou o meu afago
nem a minha compreensão
ou a minha rima


Eu quero a minha dor mais profunda
o meu segredo mais sombrio
a ferida que mais me sangra
o que te inquieta,
o que te incomoda
o que odeias

Deixe-me estar imperfeita
esquecida
inacabada
Esta também  sou eu
Esta sobretudo sou eu.

Se não és capaz de amar a minha sombra
esquece-te também da minha luz


Mª Lucas

Dois Segundos


O meu vício é pelo precipício
Soltar as amarras do peito e navegar sem velas no vento do teu desejo
O teu vício é o do porto seguro
Manter-se ancorado ao riso fácil e ao beijo sem gozo

Mas se chegares, trazido por correntes do Sul, perdido.. 
apenas por um acaso… ou por algum destino caprichoso,
E deres à minha costa, ou ao meu ventre, ou ainda ao vão das minhas coxas...

Não te demores!
Eu aviso.

Permitir-te-ei apenas dois intermináveis segundos.
Passados estes, beberei do teu hálito e nascerá uma estrela
Esconderei meus seios em teu peito nu, e tu, 
o teu mastro em meu perfume
Que sangra um oceano de saudades.
Sentirei o gosto dos teus gemidos e a rigidez do teu desejo
E com doce brutalidade, gritarei (sem cessar) o teu nome, 
ultrapassando todos os verbos, marés e continentes.
Até que me faltem as forças e me baste a felicidade da tua boca, 
delicadamente poisada em meus olhos.

Não, não te demores!
Eu aviso.

Se deixares que passem os tais intermináveis dois segundos
Deixar-te-ei apenas partir se levares contigo meu mundo inteiro nos bolsos
E meus dois seios amarrados às linhas das tuas mãos.


Mª Lucas

A Singeleza das Coisas


Descobrir o segredo de cada palavra que calas
Andar debaixo da sombra do teu carinho
Vestir na pele o beijo da tua saudade
Ter no vão dos dedos o cheiro dos teus cabelos
E ter-te sempre, ainda que distante, dentro de mim.


Mª Lucas