26 de dezembro de 2016

Quando a estrela riu da serpente



Escondi o teu nome no fundo de um poema  
junto de roupas íntimas, lembranças e serpentinas de outros carnavais.

Já não me arde o peito.
Ainda tocas piano?

As palavras ficaram gastas e não as adivinho mais
Nem sei mais como é um bom beijo,  daqueles que nos afogam de medo.

Não ouço nenhum suspiro ou gemido.
A vida seguiu. Um pouco triste, mas muito recta.
Ficou a lembrança.
Desgastada, desbotada, meio "vintage", quase etérea
mas incólume ao tempo, de teimosa que era.

A serpente dorme, a estela ri de gozo…
com aquele ar inteligente e altivo que só as estrelas têm.

Eu?

Eu tenho saudades do beijo, do cheiro, do quente no peito, do riso solto, 
do instinto, da falta de ar, da transpiração.

Um dia toquei a minha boca, como se da tua se tratasse.

Sacudi a cabeça,..

acordei e sorri de mim.


Maria Lucas