16 de junho de 2016

Eu só sei falar de Amor???






Eu só sei falar de amor??
Como assim??
Foi a minha reacção indignada à pergunta inusitada de um amigo. 
À princípio, como é da minha mais profunda natureza, sempre que me apanham de surpresa com algo que à partida não concordo, recusei o "sim" como resposta (peremptoriamente), como se fosse uma fraqueza, uma limitação, o tal "só saber falar de amor".
Então não economizei meios e arregalar de olhos, para tentar convencê-lo de que o que ele dizia era um absurdo.
Como é possível que alguém pense que eu só falo de amor?
Eu falo de pássaros, das coisas que eu gosto, das pessoas que me tocaram e partiram, ou ficaram. Falo dos rios e os comparo à minha vida. Falo da dança, dos desejos que tive e tenho, da saudade, da infância, falo de pai, de mãe, de filha, de amigos. Falo de sonhos, de liberdade, de paz, de alma e de Deus, falo até de café e de bolhas de sabão.
Como é possível que ele resuma o que eu escrevo à somente “amor”?

_O que é o “Amor” então? Perguntou-me ele, irritantemente sábio. Demais até, pro meu gosto.

É difícil que me faltem as palavras, mas nesse momento permaneci muda, como se fosse possível esquecer o significado da palavra mais linda do mundo, depois de “saudade”, é claro.

Foi então que percebi que afinal ele estava mais do que certo. Eu só sei falar daquilo que que amo….Apenas e tão somente.
E o que amo, nem sempre é limpinho, doce ou colorido. Às vezes é triste, algo nostálgico e até trágico. Mas a vida, no final não é assim mesmo?

Então, meu amigo, por mais que me custe, dou-te razão....

Sim…sim…sim…sim e mil vezes sim.

_Eu só sei falar de amor!


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