13 de abril de 2016

Refúgio

Foto: MartaSyrko



Fiquemos assim distraídos e distantes da desordem do mundo, do ruído insistente da multidão injustiçada, da ignorância dos homens em nome de um Deus, do hedonismo desenfreado que torna banal o absurdo, da sombra da fome que assoma aos berços, da ganância, da solidão, da violência, da falta de amor e do terror de morrer tão cedo.
Fiquemos assim, colados por dentro, atados de abraços, na quietude de abril. 
E nesse lugar de silêncios onde recolho meus olhos da dura verdade dos homens, onde adormeço cansaços e cobres-me de sonhos, a alegria percorre-me inteira por dentro, como se nada mais houvesse que não fosse o infinito palpável desse amor que é só meu.




Maria Lucas

9 de abril de 2016

Da fragilidade das coisas





Amanhã nao haverá o teu rosto
Nem o encanto absurdo de ver-te.
Amanhã não haverá o teu riso e a casa estará vazia
E entre a varanda e o meu peito, apenas a lembrança do teu colo.

A vida...  este estranho lugar de colecionar saudades.



Maria Lucas

1 de abril de 2016

Santiago de Compostela


 Diante de séculos de história, materializada nas pedras gastas daquele chão; das lendas incrustadas nas colunas imponentes e nas frestas das janelas de então, não encontrei palavras. Caiu-me apenas pela alma, uma lágrima silenciosa, que gritará para sempre dentro de mim o silêncio mudo de dor e fé, dos peregrinos e dos pedintes. 
Eu não entendi Santiago, mas ele colou-se a mim. Lá ficarei de certo modo, incrustada naquelas pedras e quem sabe, nas lágrimas de outro visitante que também ouse escrevê-lo como eu.


Um dia percorrerei o caminho. Dizem que para entender Santiago, há que fazê-lo.