11 de maio de 2015

Por Enquanto Estas Palavras





Ando por aí a transbordar de  encantamentos. Percorrem-me arrepios de lua, enquanto movem-se em minha boca, palavras desejosas de sair. Palavras que quero dizer, confissões que necessitam testemunhas. E eu que sei mover-me por entre as letras, encontro-me estranhamente muda. Preciso urgentemente inventar palavras, pois as que conheço parecem gastas para o que quero dizer. Por isso não digo. Sinto. Respiro teu nome e sinto, agradecendo aos cactos secos e covardes do caminho, a descrença que criei. Assim valorizo, com espanto de mocidade, o teu jeito imprudentemente torto. A tua encantadora capacidade de ser diferente, de amar com coragem, sem subterfúgios ou amarras, numa sabedoria de criança. A tua incapacidade de aceitar e entender o tempo, como entendes o vento. A tua fraca memória para o que não te aquece, ou arrefece. O teu peito, o teu cheiro, o teu dom de me fazer sorrir, e brincar, e sorrir e chorar também. No teu colo, sorrir e chorar ao mesmo tempo. Escrevi uma canção….e pareceu -me tonta. Está guardada. Um dia, quem sabe? Por enquanto estas palavras e todos os jardins que nasceram por onde pisaram os teus passos na minha direção.

Maria Lucas

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