30 de março de 2015

Na asa das letras



Abre a porta da casa, a velha casa de sempre. Põe no chão  as malas pesadas dos sonhos desfeitos .
Respira o ar d`antes, o mesmo perfume da infância, o colo de mãe, o abraço apertado do pai, o sorriso do irmão, o teu quarto, o teu canto, o teu cão, o teu retrato na parede da sala.
Sempre que for preciso, volta à tua casa de infância, mesmo que eles já lá não estejam, mesmo que ela não tenha paredes ou chão. Não é longe, nem perto, é por dentro.
Está tudo como deve estar, deixa voar na asa das letras o que não te pertence. Tu nunca perdes aquilo que nunca te pertenceu. Abraça tudo o que te sobra. É muito, porquê é só teu.
Abre a porta da casa, tens as chaves na mão, a velha casa de sempre está no teu coração.

Maria Lucas

https://www.youtube.com/watch?v=8epnzRGdHG4

12 de março de 2015

Eu sou o amor que tu me dás


“_Eu sou o amor que tu me dás!”

Alguém um dia disse em tom de muita inocência, entornando dos lábios a maior das verdades, sem perceber que de sua boca choviam estrelas.

Vez em quando algumas frases curtas fazem-me pensar, pelo tanto de imensidão contida em sua brevidade.

Há muitas mortes em nosso longo caminho. Morre-se um pouco todos os dias. Morre-se da chuva insistente do inverno, do cancro do amigo que também é um pouco nosso, dos falsos quereres, da intolerância e do medo de amar.

Porém, por descuido ou por sorte, ou porque os anjos não dormem, vez por outra renasce uma vida, posto que a primavera é a morte do inverno e o mal do amigo também pode passar. E ainda que tímida e hesitante, lá vem a felicidade feito flor em botão, cada vez que um amor verdadeiro e menino, chega assim de mansinho, avisando para a rosa que está livre o caminho. Ela pode brotar.

"Sermos amados faz de nós o melhor de nós mesmos, então amar é ser um pouco de Deus"


Maria Lucas