2 de setembro de 2015

Um pouco de Neruda




Depois de tudo te amarei
como se fosse sempre antes
como se de tanto esperar
sem que te visse nem chegasses
estivesses eternamente
respirando perto de mim

Pablo Neruda

Ele

Ele não entende a minha poesia
Ele não sabe escrever poesia
Diz não saber bem o que é
Ele me deixa bilhetes debaixo da porta
E desenha corações com pasta de dentes em meus seios.


Poesia?…..ele só não sabe escrever.

Maria Lucas



31 de agosto de 2015

Miudezas



Da impossibilidade das coisas eu crio meus sonhos
Sou amante das improbabilidades
colecionando coisas em que não posso tocar.

Maria Lucas

Faz de Conta

Imagem: by Chloe

Sem que percebas, escrevo destinos soltos
onde vivemos o que não permitimos.
E nesse faz de conta, guardo só para mim
as fotografias das borboletas que espantas dos meus cabelos
Tu, quase real, quanto perfeito,
esqueces o teu sorriso em meus olhos
enquanto carregas o meu coração pela mão.

Maria Lucas

6 de julho de 2015

Metades




Há uma parte de mim que é do mundo e vive feliz como está
mas há outra parte que é por dentro.
Nesta, habitas-me silenciosamente, com a fúria de mil trovões. Guardo-te no meu avesso, num mundo que tem o teu nome.

Perdoa, amor. Não me leias a mim, é apenas a poesia que te escreve. Eu, sou a metade de mim que é do mundo, e vive feliz como está.


Maria Lucas



1 de junho de 2015

Entre o Verso e o Verbo


Desconheço a autoria da foto


Eu nasci num domingo, numa noite de céu estrelado.
Tenho a pressa das estrelas cadentes e o ritmo manso dos domingos,
uma teimosia insana por finais felizes e uma espécie de talento inato para recomeçar.
Um ser estranho entre o verso e o verbo e a eterna luta entre o partir e o ficar

Maria Lucas

11 de maio de 2015

Por Enquanto Estas Palavras





Ando por aí a transbordar de  encantamentos. Percorrem-me arrepios de lua, enquanto movem-se em minha boca, palavras desejosas de sair. Palavras que quero dizer, confissões que necessitam testemunhas. E eu que sei mover-me por entre as letras, encontro-me estranhamente muda. Preciso urgentemente inventar palavras, pois as que conheço parecem gastas para o que quero dizer. Por isso não digo. Sinto. Respiro teu nome e sinto, agradecendo aos cactos secos e covardes do caminho, a descrença que criei. Assim valorizo, com espanto de mocidade, o teu jeito imprudentemente torto. A tua encantadora capacidade de ser diferente, de amar com coragem, sem subterfúgios ou amarras, numa sabedoria de criança. A tua incapacidade de aceitar e entender o tempo, como entendes o vento. A tua fraca memória para o que não te aquece, ou arrefece. O teu peito, o teu cheiro, o teu dom de me fazer sorrir, e brincar, e sorrir e chorar também. No teu colo, sorrir e chorar ao mesmo tempo. Escrevi uma canção….e pareceu -me tonta. Está guardada. Um dia, quem sabe? Por enquanto estas palavras e todos os jardins que nasceram por onde pisaram os teus passos na minha direção.

Maria Lucas

14 de abril de 2015

Ino-sente




Sentir não é para muitos, demonstrar é para poucos.
Alguns só com o tempo, mas há por aí que já nasce sabendo.


M. Lucas

30 de março de 2015

Na asa das letras



Abre a porta da casa, a velha casa de sempre. Põe no chão  as malas pesadas dos sonhos desfeitos .
Respira o ar d`antes, o mesmo perfume da infância, o colo de mãe, o abraço apertado do pai, o sorriso do irmão, o teu quarto, o teu canto, o teu cão, o teu retrato na parede da sala.
Sempre que for preciso, volta à tua casa de infância, mesmo que eles já lá não estejam, mesmo que ela não tenha paredes ou chão. Não é longe, nem perto, é por dentro.
Está tudo como deve estar, deixa voar na asa das letras o que não te pertence. Tu nunca perdes aquilo que nunca te pertenceu. Abraça tudo o que te sobra. É muito, porquê é só teu.
Abre a porta da casa, tens as chaves na mão, a velha casa de sempre está no teu coração.

Maria Lucas

https://www.youtube.com/watch?v=8epnzRGdHG4

12 de março de 2015

Eu sou o amor que tu me dás


“_Eu sou o amor que tu me dás!”

Alguém um dia disse em tom de muita inocência, entornando dos lábios a maior das verdades, sem perceber que de sua boca choviam estrelas.

Vez em quando algumas frases curtas fazem-me pensar, pelo tanto de imensidão contida em sua brevidade.

Há muitas mortes em nosso longo caminho. Morre-se um pouco todos os dias. Morre-se da chuva insistente do inverno, do cancro do amigo que também é um pouco nosso, dos falsos quereres, da intolerância e do medo de amar.

Porém, por descuido ou por sorte, ou porque os anjos não dormem, vez por outra renasce uma vida, posto que a primavera é a morte do inverno e o mal do amigo também pode passar. E ainda que tímida e hesitante, lá vem a felicidade feito flor em botão, cada vez que um amor verdadeiro e menino, chega assim de mansinho, avisando para a rosa que está livre o caminho. Ela pode brotar.

"Sermos amados faz de nós o melhor de nós mesmos, então amar é ser um pouco de Deus"


Maria Lucas

18 de fevereiro de 2015

Movimento


Foto: Marta Bevacqua

"Dançar é mais que mero movimento. 
Dançar é ter um caso de amor com a música
enquanto o silêncio morre de ciúme"

Maria Lucas

25 de janeiro de 2015

Àquele que Chega



Bem-vindas sejam novamente as borboletas...
E como me inspira mais a tristeza,
para a alegria tomo as palavras de outro:
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"Chegou a minha vez, e não hesito:
Quero ao menos falhar em tom agudo.
Cada som como um grito
Que no seu desespero diga tudo.

E arrepelo a cítara divina.
Agora ou nunca - meu refrão antigo.
O destino destina,
Mas o resto é comigo."

Miguel Torga, In Orfeu Rebelde

19 de janeiro de 2015

Depois de Ti


Tudo está calmo, sereno e em paz.
Não há mais dor, nem saudade, nem medo
Restou apenas o silêncio no canto dos pássaros
E esse escuro insistente em meus olhos abertos

Mª Lucas

Desconheço a autoria da foto

8 de janeiro de 2015

No Fundo



Eu não queria escrever. No fundo, no fundo
o que eu queria era ser escrita.

Maria Lucas


Oração


Não me ofereçam beijos de outono. Mais que por perto, eu quero por dentro.
Eu quero a febre da carne, eu quero a fome do povo, eu quero o último amor.
Livrai-me, ó Pai, do juízo sem graça daqueles que sofrem, muito antes da dor,
Dá-me a coragem de viver aquilo que escrevo e mais daquilo que evito
Traz-me a força do chão e a frescura da semente
E antes de tudo, e depois de tudo, e acima de tudo…
Leva para bem longe de mim a saudade 
de tudo aquilo que um dia se fez ausente.

Maria Lucas
(desconheço a autoria da imagem)

4 de janeiro de 2015

A Coragem dos Tolos


Há em mim uma necessidade cósmica de ti.
Uma vontade imensa de te falar de estrelas,
Só para ver de novo o sol do teu sorriso,
Pois, com apenas um beijo teu, o universo inteiro era meu.

Um dia, culpa das estrelas, por certo,
Decorei um discurso inteiro de beijos
E enchi-me com a coragem dos que sonham… ou dos tolos, talvez.

Eu até pensei que o teu riso era para mim,
No entanto,
Era outra a boca que te falava de estrelas, então.

E assim, de repente…anoiteci.

Dizem os sábios, que não há mal que para bem não venha.
Vão-se os teus beijos, mas ficam-me os sonhos, as lembranças
E um desejo imenso de felicidade para ti.

Que tenhas a sorte de sentires o universo inteiro na palma de tuas mãos
Com apenas um…
Apenas um beijo.


M. Lucas