17 de janeiro de 2014

Desprezo

Imagem: Anton Surkov


Desprezo quem se atreve, do alto da sua moralidade supostamente intocável, a pisar com passos sujos e prepotentes o chão claro, espontâneo e frágil da minha poesia. E ainda, como se fosse pouco, desfaz os rastos do que pisou, acreditando que os estragos causados desaparecem também, como se os efeitos pudessem separar-se milagrosamente da causa.

Perdoo, sinceramente os teus atos. Os efeitos deles em mim, resolvo eu. Os efeitos deles em ti, saberás depois, quando então descobrirás que é de todos os passos mal dados, que surgem os tropeços inesperados.

Para ti, especificamente um frase de Neil Young:

“É melhor queimar do que apagar-se aos poucos.”

E que todo o gelo afaste-se de mim enquanto queimo.


M. Lucas

8 de janeiro de 2014

Morreste-me


E consta nos autos:

"_Foi um crime perfeito...
O teu suicídio em meu peito."




Maria Lucas.

1 de janeiro de 2014

Frágil


Protege-nos do vento antes de criarmos raízes,
pois o amor menino é asa de borboleta,
desfaz-se na sombra da noite antes mesmo que amanheça.


M. Lucas