28 de outubro de 2013

Namorado Genérico

Penso que um blog seja para expor as nossas próprias ideias e sentimentos e por essa razão, quase sempre, tudo o que publico é meu. Acontece que quando li este texto tive a impressão de que poderia ter sido eu a escrevê-lo. As palavras saíram muito facilmente à medida que lia, como quando adivinhamos o final das frases nas melodias simples.
Então lá vai...


Dia desses um amigo me confidenciava o porquê tinha acabado seu namoro. Em uma frase sucinta ele resumiu tudo: Eu era um namorado genérico.
Dê, Tu sabe o que é isso?

Sei, sim. E explico.
O genérico (ou genérica) geralmente tem várias qualidades: não é lindo - mas também não é feio, é inteligente, simpático, responsável, tem um bom emprego e é aparentemente seguro estar do lado dele. Uma pessoa namorável diria eu, se fosse adepta dessas classificações simplistas. Um alvo cheio para mocinhas cheias de fantasias, idealizações e planos para futuro.

Bom, voltando ao caso, a namorada do amigo em questão, parecia ser uma delas. Com (apenas!) quatro meses de namoro, a moça queria morar junto, constituir família e viver felizes pra sempre. O moço que é louco, mas não tanto, parece ter freado as intenções dela e, os dois não só acabaram o relacionamento, como a mulher-apaixonada-louca para casar, voltou com o ex-namorado. Nele ficou a certeza de que não era suficiente só estar com ele, que não era por ele que ela tinha se apaixonado, e sim pela possibilidade de concretizar todos os seus anseios amorosos. Poderia ser qualquer outro.

Em mim ficaram os questionamentos: quantas vezes não fomos vítimas de pessoas assim, que projetam em nós todas suas expectativas, sem se atentar pro que somos realmente? Quantas vezes não fomos nós mesmos essas pessoas?
Não nascemos para corresponder às expectativas de ninguém (eu, por exemplo, mal correspondo às minhas)e, por essa razão, entendo genuinamente quem precisa se sentir especial, quem não se acomoda em ser apenas uma parte de um par.

Não há nada de mal em querer segurança numa relação, mas este não pode ser o motivo principal, nem primeiro.
Que outras qualidades se somem a essa, que a vontade de ter companhia num edredom quentinho não seja o motivo da precipitação em eleger "o amor da sua vida". Sei que não é fácil não ceder a carência e a uma sociedade que grita "é impossível ser feliz sozinho". Mas sei ainda mais, da franca admiração que sinto pelos que não se conformam em ser apenas mais um, mesmo que sejam assim tratados, vez ou outra. E são essas as pessoas que precisamos de ter ao nosso lado.

Que descansem em paz os genéricos, sobra mais espaço para os que realmente interessam, os que fazem questão de ser únicos.