4 de julho de 2013

Pequenos Deuses Humanos


“Presta atenção naquilo que é pequeno”


Dizia-me com frequência um amigo, sempre que tinha bebido uns copos a mais.

Achei que brincava com a sua estatura, uma vez que tinha uns bons centímetros a menos que eu. Longe estava eu de saber a real intenção daquele homem que tinha a sensibilidade inversamente proporcional a altura.

Numa livraria, ainda esta tarde tive uma visão inusitada. Um homem “maltrapilho” a destoar com as estantes cuidadosamente limpas, cheias de livros e cultura.
Como se não me bastasse a visão, reparei que o mesmo folheava interessado, um romance. Até poderia ser qualquer um, mas “Orgulho e Preconceito” era demais.
Pensei mesmo que devia desistir dos meus óculos de uma dioptria comprados no chinês e consultar um oftalmologista à sério.
Ele notou o meu ar pasmado e sorriu para mim, pouco tempo antes de ser gentilmente convidado a sair, por um funcionário do local.

Numa outra situação me senti de modo semelhante como hoje, e foi há muitos anos atrás, quando ainda andava de transportes públicos no Rio de Janeiro.
De pé estava uma senhora de idade e, de pé teria continuado, se dependesse somente dos “cavalheiros” presentes e sentados, mas felizmente para ela e para o que escrevo agora, levantou-se uma menina com os seus prováveis 7 anos, sem que fosse preciso nem um leve toque de sua mãe, que penso ter ficado surpreendida, pois fez uma expressão muito semelhante à minha ao ver o inusitado sábio maltrapilho.

Hoje penso que entendo o meu pequeno grande amigo quando me mostrava que muitas vezes o tamanho de uma pessoa se faz mais por suas atitudes que pela genética caprichosa da junção de cromossomas perfeitos.

Ser grande, ser belo é ser capaz de salpicar de luz a rotina cinzenta de nossa humilde condição humana com o pouquinho de divindade que trazemos na alma.

Um brinde aos pequeninos, meu amigo…um brinde à ti, onde quer que estejas.

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