27 de julho de 2013

Entre o Alvo e a Seta


Quem me dará o que mata a sede e o que tira o sono?
Quem acordará meu sonho e secará minha mágoa?
Quem me dará a mão e abraçará meu ventre?
Quem fará da voz meu alento e do corpo meu tormento?
Quem me trará suspiros de gozo e fará dos meus olhos seu repouso?
Quem me somará o que sempre me é subtraído?
Quem fará morada em minha alma e dormirá em meu sono?
Quem me trará verdades doídas num manto quente de aconchego?
Quem suportará o meu amargo em troca do meu doce?
Quem trará o brilho nos olhos à espera dos meus afagos?
Quem será imenso e infindo por ser caminho e substância?

Talvez não se encontre nunca o que se busca
Mas a busca é algo entre o alvo e a seta
E no meio do caminho, o vento no rosto,
 os encontros e despedidas, 
os encantamentos e as desilusões
Fazem a história de uma vida.
Que será tão mais vivida quanto maior a coragem 
de manter a velocidade da flexa, 
mesmo que nunca encontre o destino,
 sempre deixando o perfume da promessa 
espalhado pelo meio do caminho


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