27 de junho de 2013

Pelas Palmas das Mãos



É quando o tempo se dilui nas brancas horas do encanto
Que dois amantes se enxergam pelas palmas das mãos
numa sofreguidão de quem tem fome
_e come…
a pele, o corpo, as curvas,  os vãos que se escondem
Que dois amantes se enxergam pelas palmas das mãos< no desespero de quem tem sede _e bebe… >
da saliva, do suor, e do visgo que se exibe
Até que tudo se confunde
Até que tudo se mistura
Até que tudo se dilui
É quando a vida faz sentido 
Nas horas brancas do encanto
Em que dois amantes que se enxergam pelas palmas das mãos

26 de junho de 2013

Um Lugar com Nome de Mulher



Hoje revivi emoções antigas, de momentos especiais que passei num lugar mágico e único, por sete anos da minha vida.
Inspiro fundo e consigo sentir o cheiro daquele vento e o calor gostoso que me envolvia, não sei se da brisa ou se da gente do lugar.
Um lugar com nome de mulher e paisagens de paraíso.
Disseram-me até que ainda existe algo meu naquelas paredes e ouso pensar que com um pouco de sorte também eu ainda esteja, de alguma forma, na lembrança das pessoas que tanto amei por lá.
Cito uma frase de Carlos Ruiz Zafón no livro A Sombra do Vento
“_Cresci no meio de livros, fazendo amigos invisíveis em páginas que se desfaziam e cujo cheiro ainda conservo nas mãos.”
Os amigos que fiz nesse lugar, têm cheiro de bolo de chocolate saindo do forno.
Não importa quanto tempo passe, nem a distância imensa atrapalha. Quem foi especial estará para sempre em nós. Acredito que Einstein tinha razão…”Para estarmos juntos não é preciso estarmos perto e sim do lado de dentro”.
Quando penso naquele tempo, uma felicidade mansinha vem de repente, coisas que só sente quem sabe que amigos de verdade, estão à distância de um bolo de chocolate saindo do forno.
Esta noite sairá do meu forno um bolo de chocolate
E eu vou lembrar do que fui…

23 de junho de 2013

Descoberta


Desejo o teu mistério,
que é tudo aquilo que eu ainda não sei.
Deixa te descobrir devagarinho,
como o mel que escorre,
como se fosses infinita para mim,
mesmo que nem o sejas.

M. Lucas

16 de junho de 2013

Asfixia


Certas imagens que vejo por aí ficam na minha cabeça
e por impulso ou exercício
necessito que tenham história.
Gosto de imaginar que os conheço e sei o que sentem...




"Quero tatuar os meus segredos na tua pele
Com as pontas dos meus dedos
E respirar o teu desejo
Espalhado como estrelas pelo céu da minha boca
Asfixiar-me de ti até que amanheças sol
Em meus olhos."


Maria Lucas

14 de junho de 2013

Por Brilho



Uma pequenina luz vem crescendo teimosa
Me acariciando de leve, talvez para não me assustar
E eu com mais medo que ela
Por já se mostrar bem capaz, mesmo tão pequenina,
De acordar a poesia que tenho tentado matar


Que seja verdade e não sopro
E não me ilumine se não for para brilhar.
E ficar...
Hoje penso poder finalmente entender este poema de Pablo Neruda:
“Me encante com uma certa calma, sem pressa. Tente entender a minha alma.”

13 de junho de 2013

Fragilidades



As mudanças quando chegam costumam vir de todos os lados
expondo fragilidades que tentamos guardar só para nós.
E não é que no meio da ventania alguém se encanta
justamente com o que se tentava esconder?
E eu ouvi:
"_Deixa que a vida levante a tua saia, menina....
e que o vento da mudança leve o que é frágil e vão
e traga o que é teu e é são.
Pois só o que vale a pena correr atrás na vida é aquilo que quer ser alcançado!"
Há que haver concordância entre o desejo e o desejado,
o resto é lamento....e eu lamento.

11 de junho de 2013

Mais um Poema de Mim.



Para quem deita seus olhos aqui, seja quem for...
Não se assuste com o que escrevo.
Não sou literal, eu exagero em palavras o que vivo e o que sinto
Não que não seja verdade a palavra escrita
Mas é minha mania a de explodir as emoções que vivo.
É o que me alimenta e me engrandece aos meus olhos.


Perdoo-me o exagero e como disse Pinto Monteiro:
"_Poeta é aquele que tira de onde não tem e põe aonde não cabe."
Mais um poema de mim.
Não possuo dotes ou ouro

Nem sangue de nobreza
Não persigo tesouros
Nem me seduz a riqueza

Meu ouro é a minha alegria
Nobreza é de comportamento
Tesouro que herdei de família
É brilhar por fora e por dentro

De tanto chorar quase liquefazia
E no instante seguinte era arrebatamento
Viver e morrer por fazer poesia
Só levo daqui o meu transbordamento


Maria Lucas

Até o Vento Respeita




Não é que eu procure a poesia sempre
mas é que ela, teimosa e exibida como costuma ser para mim,
às vezes se atravessa a minha frente sem eira nem beira.
E eu gosto.

Lá vai meu agradecimento ao inusitado, por me fazer parar e encher a alma de luz.
Deu até vontade de criar algo que fosse doce como o momento:

"Aqui tudo passa sem pressa
Até o vento respeita
E quem vem de fora confessa
Que a vida assim é perfeita."


Maria Lucas

9 de junho de 2013

Morte Lenta



Hoje ele é apenas uma sombra do que foi.
Ironias costuradas em teias de sorrisos e carinhos mornos,
Uma frieza sombria envolta no calor de suas mãos quentes.
Mas ela ainda o quer, frio e irónico.
É mais forte do que ela.
Enquanto a teimosia de sua memória
for mais forte que a razão que lhe escava os olhos,
Enquanto o seu vício de sugar as delícias que ele ainda traz
for maior do que o frio que sente ao vê-lo sendo um estranho.
Até que ela aceite,
Com a serenidade de quem morre
Que há muito…
já era tarde para os dois.


Maria Lucas © Junho de 2013