14 de abril de 2013

Hoje é Dia de Saudade



Deixou-nos ontem o pai de um grande amigo meu.
Lembro-me do meu pai, como não lembrar?
Não era de carinhos ou de afectos, dizia que me amava com uma palmada de leve na cabeça, modo meio avesso de amar, e que levei muito tempo a traduzir.
Um dia tive a certeza de que era amada por ele de uma forma também pouco convencional.
Quis aprender a pintar, achando que essa era a minha arte e, ele disse:
_Eu acredito em ti, minha filha. E ante a minha dificuldade em quantificar a crença dele em mim, disse ele:
_Estás a ver a parede da sala? Pinta lá o que quiseres!
Eu pintei…um cisne (patinho feio seria o adjectivo mais próximo da realidade do meu cisne).
Para o meu pai era mesmo um cisne.
Soube que ele me amava, pois por muitos anos o cisne permaneceu pintado naquela parede.
Não, nunca tive o luxo de uma demonstração típica de afecto por parte do meu pai.
Nem o precisei.


Tinha o meu cisne na parede da sala.

Maria Lucas