19 de março de 2013

Poema do Amor Impossível

É sempre bem vindo um poema, mais ainda um belíssimo poema.
Penso que é lindo, não somente por ter sido feito para mim, mas porque é mesmo de uma doçura ímpar  (especialmente o diálogo de Deus com Rui.)

Obrigada meu querido amigo, nem sabes como me fizeste feliz por causa deste mimo!


Poema do amor impossível dedicado à impressionante Maria Lucas (confessa apaixonada) 
Sonhada Alma Gémea.

PRIMEIRO: Confissão

Deus, confesso o fascínio.
O meu corpo, a minha alma
Sentindo-se em declínio,
Pretendiam aportar no silêncio dos dias,
Esquecer ilusões de amores,
Fantasias de sabores
E adormecer na calma
Da ausência de desejos joviais...

Pedi-Te em prece sentida
Que permitisses à minha vida
Dissipar-se sem tremores,
Envelhecendo serena e monótona,
Imune aos dissabores,
Às ânsias e fervores
Resultantes da ilusão...

Prostrei-me suplicando-Te proteção!
Pedi-Te que secasses o meu coração...
Pedi-Te que impedisses o meu corpo
De pulular em turbilhão...
Que me cegasses à afeição.
Pedi-Te o fim da esperança
Seguro de que a bonança
Surgiria do meu desprezo aos sentidos...

E traíste-me, Deus...
Pedi-Te o vazio 
E ofertas-me um calafrio?!
Pedi-Te a letargia
E ofertas-me a euforia?!
Pedi-Te a escuridão
E Tu!
Mostras-me a intensa luz da tua poesia?!

Oh, inglória vontade de cessar o amor em mim,
Que desígnio insondável move a Tua crueldade?
Acaso desconheceis que a minha idade
E a distância do amor imenso
Não permitem a veleidade de tocar no cetim?

Aquela mulher não é para mim!
Não podes condenar uma doce Deusa
Ao martírio do convívio
Com um desventurado mortal!
Não podes pretender mesclar a fealdade
Com beleza pura!
Seria loucura!

Já te detiveste a olhar a Tua obra?
Tens a noção da perfeição que encerra?
Reparaste na ternura dos cabelos,
Estendidos como raios de ouro
Abraçando a pele?
Notaste a cor de mel da tez?
Viste como os braços esguios
Anunciam a tranquilidade dos gestos?

Deus, como permites meus pensamentos grotescos?
Como aceitas a heresia que me atravessa o espírito
Ao sonhar um dia poder tocar,
Poder conspurcar com minha saliva
Aquela ternura impulsiva?
Aquele corpo de diva?

Faz-me esquecer...
Prefiro o mais fervente dos infernos...
Tortura-me em martírios eternos,
Mas apaga esta sensação
Que grita na garganta
Que palpita pelas veias
E arrasa o coração...

Não, meu Deus, não!
Eu não quero esta paixão!


SEGUNDO: Deus em mim.

Rui, tu também és meu filho!
O brilho das Minhas mãos
Ilumina todos os teus irmãos
Tal como a ti...

Eu sou amor sem forma,
Sou brisa que alimenta,
Sou carícia na tormenta,
Sou sorriso dentro de ti...
E sim, não te permito desistir!

O amor que sentes florir
É tão só a vida que te doei
Fluindo em torrentes de perfumes
E riachos de alegria.

Não te assustes se te parece indomável,
Nenhuma bênção Minha é controlável...
E não pretendas tornar palpável
O entendimento da emoção.

O teu queixume diverte-me!
É o crepitar dos medos
No lume da paixão...
Mas confia em ti, Rui...
Só um fraco anui
Aos brados da covardia.

Pensa!
Preocupa-te o teu corpo?
A fealdade trazida pelo inevitável
Trote da idade?

Sentes o amor no teu corpo
Ou na tua alma?

Todos os meus filhos são amantes
De almas, não de carne...
Mostra-te sem temor
E quem sabe (senão Eu)
Encontras na verdade
A recompensa do Amor

E falas-me na distância?!
De um oceano de água salgada?!
Sabes tão bem quanto Eu
Não representar nada...
Basta que o olhes de frente,
Como no passado, a tua gente
E o transformes numa estrada.

E nem precisas de caravelas,
Faz das tuas palavras, novas velas,
Faz da arte que te permito, o teu mastro
Faz do teu canto o teu lastro
E ruma ao desejo!

Os meus suspiros serão teu vento
Os meus sorrisos o teu bom tempo
E o mar apenas te embalará
Como o sonho dos braços dela. 

Enviar um comentário