28 de março de 2013

Desejo



Guardo em ebulição meus sentidos sob a pele fria que me cobre
Enquanto aos desatentos pareço apenas um sereno corpo morno

Não se enganem…
Meus sentimentos e emoções aflitas esperam ansiosas o instante de libertação.
Por vezes até oiço seus ruídos no vão entre as clavículas
Não, não me toque o peito desnudo, pois
Avizinha-se a minha tempestade
E prefiro que apenas me fique por dentro
Num mudo e violento espanto
É minha sina… a de tremores eternos
E tremo de saudade da mão que me liberta
E treme e geme e queima comigo
Porém,
É minha sina também…a de saudades eternas
Então resignada, tremo por dentro…
só por dentro.

>Maria Lucas

26 de março de 2013

Profundo



Eu viraria o mundo
Te traria o fundo
Todo o amor que abundo
O meu chão fecundo
Num abraço profundo
Se por um segundo
Só por um segundo
Te dissesses meu
Te fizesses meu

Só por um segundo meu

Maria Lucas

25 de março de 2013

Anjos



Habitam anjos em meu mundo
Uns vem e não se detém
Outros ficam a olhar de longe, como quem vela
Outros ainda, ficam por mais tempo
Alguns insistem em morar por dentro
E pra quem pensa que não sou feliz,
Acho graça e digo de chofre:
Como não sê-lo?
Habitam anjos em meu mundo...

Mª Lucas.

19 de março de 2013

Poema do Amor Impossível

É sempre bem vindo um poema, mais ainda um belíssimo poema.
Penso que é lindo, não somente por ter sido feito para mim, mas porque é mesmo de uma doçura ímpar  (especialmente o diálogo de Deus com Rui.)

Obrigada meu querido amigo, nem sabes como me fizeste feliz por causa deste mimo!


Poema do amor impossível dedicado à impressionante Maria Lucas (confessa apaixonada) 
Sonhada Alma Gémea.

PRIMEIRO: Confissão

Deus, confesso o fascínio.
O meu corpo, a minha alma
Sentindo-se em declínio,
Pretendiam aportar no silêncio dos dias,
Esquecer ilusões de amores,
Fantasias de sabores
E adormecer na calma
Da ausência de desejos joviais...

Pedi-Te em prece sentida
Que permitisses à minha vida
Dissipar-se sem tremores,
Envelhecendo serena e monótona,
Imune aos dissabores,
Às ânsias e fervores
Resultantes da ilusão...

Prostrei-me suplicando-Te proteção!
Pedi-Te que secasses o meu coração...
Pedi-Te que impedisses o meu corpo
De pulular em turbilhão...
Que me cegasses à afeição.
Pedi-Te o fim da esperança
Seguro de que a bonança
Surgiria do meu desprezo aos sentidos...

E traíste-me, Deus...
Pedi-Te o vazio 
E ofertas-me um calafrio?!
Pedi-Te a letargia
E ofertas-me a euforia?!
Pedi-Te a escuridão
E Tu!
Mostras-me a intensa luz da tua poesia?!

Oh, inglória vontade de cessar o amor em mim,
Que desígnio insondável move a Tua crueldade?
Acaso desconheceis que a minha idade
E a distância do amor imenso
Não permitem a veleidade de tocar no cetim?

Aquela mulher não é para mim!
Não podes condenar uma doce Deusa
Ao martírio do convívio
Com um desventurado mortal!
Não podes pretender mesclar a fealdade
Com beleza pura!
Seria loucura!

Já te detiveste a olhar a Tua obra?
Tens a noção da perfeição que encerra?
Reparaste na ternura dos cabelos,
Estendidos como raios de ouro
Abraçando a pele?
Notaste a cor de mel da tez?
Viste como os braços esguios
Anunciam a tranquilidade dos gestos?

Deus, como permites meus pensamentos grotescos?
Como aceitas a heresia que me atravessa o espírito
Ao sonhar um dia poder tocar,
Poder conspurcar com minha saliva
Aquela ternura impulsiva?
Aquele corpo de diva?

Faz-me esquecer...
Prefiro o mais fervente dos infernos...
Tortura-me em martírios eternos,
Mas apaga esta sensação
Que grita na garganta
Que palpita pelas veias
E arrasa o coração...

Não, meu Deus, não!
Eu não quero esta paixão!


SEGUNDO: Deus em mim.

Rui, tu também és meu filho!
O brilho das Minhas mãos
Ilumina todos os teus irmãos
Tal como a ti...

Eu sou amor sem forma,
Sou brisa que alimenta,
Sou carícia na tormenta,
Sou sorriso dentro de ti...
E sim, não te permito desistir!

O amor que sentes florir
É tão só a vida que te doei
Fluindo em torrentes de perfumes
E riachos de alegria.

Não te assustes se te parece indomável,
Nenhuma bênção Minha é controlável...
E não pretendas tornar palpável
O entendimento da emoção.

O teu queixume diverte-me!
É o crepitar dos medos
No lume da paixão...
Mas confia em ti, Rui...
Só um fraco anui
Aos brados da covardia.

Pensa!
Preocupa-te o teu corpo?
A fealdade trazida pelo inevitável
Trote da idade?

Sentes o amor no teu corpo
Ou na tua alma?

Todos os meus filhos são amantes
De almas, não de carne...
Mostra-te sem temor
E quem sabe (senão Eu)
Encontras na verdade
A recompensa do Amor

E falas-me na distância?!
De um oceano de água salgada?!
Sabes tão bem quanto Eu
Não representar nada...
Basta que o olhes de frente,
Como no passado, a tua gente
E o transformes numa estrada.

E nem precisas de caravelas,
Faz das tuas palavras, novas velas,
Faz da arte que te permito, o teu mastro
Faz do teu canto o teu lastro
E ruma ao desejo!

Os meus suspiros serão teu vento
Os meus sorrisos o teu bom tempo
E o mar apenas te embalará
Como o sonho dos braços dela. 

17 de março de 2013

Espera...Um poema de amor



A queixar-me (comigo mesma) nunca ter recebido nenhum poema de amor, decidi despentear o passado e com profunda emoção, estava enganada....recebi sim, um poema, de alguém muito importante para mim. Gostaria de vê-lo novamente, sim. 

Todo o Amor deixa saudade.

A trilha segui entre arbustos densos,
Denso de medo, denso de paixão.
Pegadas ao chão, cheiro de tensão.
 O trilho ouvi e o trem não vem,
Ouvi seu apito e ela não vem.
 No vai, no vem,
Entre muitos, sem ninguém.
Entre murros, entre mares
Esperarei.
 Senti o calafrio do calor da mão,
Senti o teu tocar.
Olhei e achei que era.
Era de uma era, era de muro e de flor,
Era de encanto e de amor.
Contudo, era uma vez...
 Mergulhei, mas não me molhei,
 Caí, mas não me machuquei,
Chorei, mas não me ressequei.
Bebi e não me embriaguei.
 Naveguei, porto não encontrei.
Afundei e não senti o fundo do céu,
Do mel, do véu,
Da noiva que não veio.
 O mensageiro veio sem nada,
O carteiro esqueceu de entregar a carta.
 Olhei o mar e o horizonte não tinha sua linha
Não havia cor de paixão,
Nenhum navio vinha.
Havia uma vinha e do seu fruto apenas provei.
Não me fartei, não te falei.
Sei que falhei, sei que deixei, mas sei que te amei...
 Esperarei. 

 J.M.

15 de março de 2013

Inauguro-me





Tenho andado distraída, e por andar assim como quem voa
Quase não percebi o tanto de chão que passou por mim
Abro agora os olhos pro que me toca e me atordoa
Pois a vida é curta demais para ter, antes do tempo, um gosto de fim.

Inauguro-me


Maria Luca© março de 2013

12 de março de 2013

Falta Coragem






Morava sozinho. 
Morreu de repente, rodeado por milhares de livros, 
documentos, fotos e testemunhos de gratidão de instituições científicas. 
Quando examinaram tudo aquilo, encontraram um papel azul com o início de uma confissão: 
"Eu queria ter sido actor."

David Lagmanovich 


"E porque o amor merece coragem e alimento....
aqui adormeço o teu capítulo"

11 de março de 2013

Infinito Particular

Desconheço a autoria da foto

Há sempre a promessa de uma poesia inesquecível, como um grito mudo e ensurdecedor,
enquanto andas assim, perdido, em meu infinito particular de sentir-te.
Procuro por ela (a poesia), ainda dormente de saudade
 por entre as batidas do teu coração ateu.

Serás eterno quando ela nascer.


Maria Luca© março de 2013

10 de março de 2013

Tu

Desconheço a autoria da foto

Eras tanto! Eras claro e forte, eras doce e sal.
Na boca, tua saliva e gosto derretiam-me em desejos.
Na pele, perdia de vista tuas mãos, donas de tudo em mim.
Sorrias-me e eu sorria-me inteira de espanto e calor.
Hoje és só uma sombra do que foste
Um poço de mágoas infinitas e egoístas
E nem percebes a despedida que se mostra a cada ausência tua
A cada dia, a cada dúvida, a cada recusa, a cada medo teu
Tu que sabias do nosso tamanho
Tu que sentias que era destino
Tu de tão claro, escureceste
E de tão raro tornou-se comum 
Perdoa a minha poesia triste
Mas ela também sente saudade de nós.
Logo amanhece, se cansa de ser triste e fica em paz.

Também nós

Maria Luca© março de 2013