28 de janeiro de 2013

Língua


Perco-me nas entrelinhas
Prolongo-me nas reticências
Protejo-me entre as aspas
E abraço-me de parênteses
Negando-me sempre o ponto final.

Ah.. o que seria de mim sem a poesia?

Maria Luca© janeiro de 2013

23 de janeiro de 2013

O Teu Nome



Desconheço a autoria da foto


Trago em mim metades de sonhos
Poemas inacabados
Amores impossíveis
Guardados nas pontas dos dedos
Molhados na minha saliva
Colados nas curvas do corpo.

Se um novo amor me desperta
Assim como brisa ou suspiro
Assim como quem não procura
Revivem meus sonhos inteiros
Poemas renascem em grito
E amores transbordam de gozo

E assim aconteces-me agora
Sempre que te toco a pele
Sempre que te bebo a saliva
Sempre que em minha cintura
Perdem-se os teus braços morenos.

E de gozo e cansaço

adormeço o que me transborda

e grito e suspiro


e calo


o teu nome em mim.





18 de janeiro de 2013

Estrelas do Mar

Desconheço a autoria da foto.


Na areia da praia da minha infância, cada rolha de cortiça era um banquinho, 
que tomava por mesa uma caixa gasta de fósforos; 
as caixas vazias de cigarro por sua vez, serviam de camas, 
cobertas por lençóis de folhas de espiga de milho e travesseiros de conchas.

Levo assim os meus dias, encontrando pequeninas felicidades escondidas 
onde ninguém procurou
e até no céu costumo ver estrelas do mar.

Maria Lucas

13 de janeiro de 2013

Troca




Vem, me esconde no canto da tua retina
Me põe nos olhos o infinito do teu ser
Lambe minhas feridas abertas
Seca meu pranto desfeito
Transborda-me do teu sorriso
Me tira o medo de ficar sem chão
Me devolve as asas que tinha
Que eu te prometo a pele nua
A boca que engole a tua
Os sonhos que já perdeste
Os desejos que esqueceste
E uma imensa vontade de ti.

M. Lucas


http://www.youtube.com/watch?v=pY9b6jgbNyc

11 de janeiro de 2013

Imperfeição


foto: Alexandre Sá Freire

Gosto mais do imperfeito que do exacto.
Excita-me o que não acabo mais que o que completo.
Minha envolvência é pela promessa do caminho mais que pelo fim.
Tenho uma imperfeição de nascença que me colore.
Vejo azulado o que o mundo amarela.
Uma eterna mania de viver poesia e a teimosia burra de não desejar minha cura


Maria Lucas