25 de dezembro de 2013

Inesperado


"_Eu estranhamente gosto de ti!"

Vestiu de poesia o que sentia e eu sorri. Pudera...

14 de dezembro de 2013

Pedido


Ela só pediu ao tempo, que no seu silencioso passar,
não levasse tão cedo essa vontade de enxergar 
as miudezas escondidas no tecido áspero do cotidiano.
A moça colecionava estrelas para fazer seu próprio céu.

Maria Lucas



9 de dezembro de 2013

Herança



Quando chegarem teus filhos
Encontrarão em minha gaveta de nuvens
Todos os sonhos gastos dos meus quereres sem fim
E o brilho das pedras que garimpei 
Entre conchas quebradas, areia e marfim
Será dos teus filhos essa herança tonta
A miúda estranheza nos olhos
Que teima em finais felizes 
e em cada um, faz de conta.


1 de novembro de 2013

Nas Entrelinhas de um Pedaço de Papel

Todos nós temos momentos de loucura
Todos temos uma história absurda para contar
Lembro-me bem do pequeno almoço que trouxeste
Lembro-me bem da tua cabeça no meu colo
E dos teus cabelos macios por entre os dedos da minha mão

Todos nós temos uma história absurda para contar
Eu, se contasse a minha, ninguém acreditaria
Mas esta mão que te escreve, ainda tem o cheiro do teu cabelo macio

Tu?
Frágil, foste meu por um segundo
Eu?
Deixei para ti minhas loucuras, 
nas entrelinhas de um pedaço de papel.






28 de outubro de 2013

Namorado Genérico

Penso que um blog seja para expor as nossas próprias ideias e sentimentos e por essa razão, quase sempre, tudo o que publico é meu. Acontece que quando li este texto tive a impressão de que poderia ter sido eu a escrevê-lo. As palavras saíram muito facilmente à medida que lia, como quando adivinhamos o final das frases nas melodias simples.
Então lá vai...


Dia desses um amigo me confidenciava o porquê tinha acabado seu namoro. Em uma frase sucinta ele resumiu tudo: Eu era um namorado genérico.
Dê, Tu sabe o que é isso?

Sei, sim. E explico.
O genérico (ou genérica) geralmente tem várias qualidades: não é lindo - mas também não é feio, é inteligente, simpático, responsável, tem um bom emprego e é aparentemente seguro estar do lado dele. Uma pessoa namorável diria eu, se fosse adepta dessas classificações simplistas. Um alvo cheio para mocinhas cheias de fantasias, idealizações e planos para futuro.

Bom, voltando ao caso, a namorada do amigo em questão, parecia ser uma delas. Com (apenas!) quatro meses de namoro, a moça queria morar junto, constituir família e viver felizes pra sempre. O moço que é louco, mas não tanto, parece ter freado as intenções dela e, os dois não só acabaram o relacionamento, como a mulher-apaixonada-louca para casar, voltou com o ex-namorado. Nele ficou a certeza de que não era suficiente só estar com ele, que não era por ele que ela tinha se apaixonado, e sim pela possibilidade de concretizar todos os seus anseios amorosos. Poderia ser qualquer outro.

Em mim ficaram os questionamentos: quantas vezes não fomos vítimas de pessoas assim, que projetam em nós todas suas expectativas, sem se atentar pro que somos realmente? Quantas vezes não fomos nós mesmos essas pessoas?
Não nascemos para corresponder às expectativas de ninguém (eu, por exemplo, mal correspondo às minhas)e, por essa razão, entendo genuinamente quem precisa se sentir especial, quem não se acomoda em ser apenas uma parte de um par.

Não há nada de mal em querer segurança numa relação, mas este não pode ser o motivo principal, nem primeiro.
Que outras qualidades se somem a essa, que a vontade de ter companhia num edredom quentinho não seja o motivo da precipitação em eleger "o amor da sua vida". Sei que não é fácil não ceder a carência e a uma sociedade que grita "é impossível ser feliz sozinho". Mas sei ainda mais, da franca admiração que sinto pelos que não se conformam em ser apenas mais um, mesmo que sejam assim tratados, vez ou outra. E são essas as pessoas que precisamos de ter ao nosso lado.

Que descansem em paz os genéricos, sobra mais espaço para os que realmente interessam, os que fazem questão de ser únicos.


27 de outubro de 2013

Antes que tudo se acabe



Só é capaz da paixão verdadeira, quem se ama verdadeiramente.
Apaixonar-se é ser capaz de entregar a parte mais frágil do nosso ser em holocausto,
com a certeza que só tem as crianças, de que tudo será perfeito e que o fim e a dor,
coisas tão familiares ao adulto, nem fazem parte da possibilidade de uma paixão que nasce.
Só é capaz da paixão verdadeira, quem conserva a criança que foi um dia,
intacta em suas certezas, pura em sua intensidade e sábia em sua doce inocência

Apaixonar-se é contrariar o fluxo do destino
É voltar a ser criança
É ousar duvidar da morte

E se nada der certo, essa mesma criança volta ao útero materno, protegida em sua ilusão
e quando menos se espera, mesmo que julguemos morta,
eis que um sorriso ou um olhar de um estranho
dá à luz a pequena criança valente e teimosa,
a indestrutível criança que vive no olhar daqueles,
somente daqueles, que contrariam  o fluxo do destino
e, ainda que por inocência,
ousam duvidar da morte.

Maria Lucas

We’re born with millions of little lights shiny in our hearts
And they die along the way
Till we’re old and we’re cold
And lying in the dark
Cos they’ll all burn out one day
They’ll all burn out one day
They’ll all burn out one day
They’ll all burn out one day


16 de outubro de 2013

Inspiração





Em meus sonhos dei-te mãos com que me prendes
e pés que nunca partem.
E aquela alegria dos teus olhos no meu dia? 
 Transformei toda em poesia.


Maria Lucas

12 de outubro de 2013

Felicidade Simples


Escrevi este texto a pedido de um amigo:
"Gostava de ler algo teu...que descrevesse a felicidade simples de estar vivo..."














Que nunca me abandone essa minha vontade de sorrisos, mesmo que digam exagerada.
Desde pequena encontrava poeira de sonhos nas pedras do caminho.
Sempre achei a felicidade barata, preciosidade exposta e entregue às mãos
de quem fosse ao menos .... curioso.

Às vezes brinco de Deus, pensando controlar o vento. 
Quando uma brisa me sopra nas costas tento andar à sua velocidade
e penso que por minha vontade, o vento parou.
E rio de mim mesma por, no meio da vida, ainda brincar de menina.
E sorrio da minha teimosia em repetir o que fazia em tempos já tão idos.
Apanhar conchas na areia e imaginar os tantos colares que prometia fazer e nunca fiz. 
Doce para mim era pensar que trazer comigo as conchas, 
era também trazer comigo o fundo do mar.

E de tanto fazer o que fazia, ainda trago no rosto essa marca de menina,
tendo comigo a coragem que tem aqueles que brincam de divindade,
o sorriso daqueles que tentam entender o vento
e o brilho dos olhos daqueles que trazem consigo o fundo do mar.



Maria Lucas


Ainda ontem chorava no meu ombro um amigo por não ser correspondido "como achava que devia ser" pelo seu amor. E quantos de nós já nos sentimos assim... mal, mesmo que por outros motivos? 
No meu último dia de trabalho diagnostiquei uma leucemia em uma criança de sete anos.
Só se sente a falta de ter notado antes a felicidade simples de estarmos vivos 
quando nos bate à porta a possibilidade de que não a possamos sentir mais.

Que não esperemos por esse momento...



* e que Deus te proteja, menina...

2 de outubro de 2013

Prece







Gemia teu nome em línguas que só eu conhecia…

Se eu tivesse hoje a tua boca em minhas mãos,por apenas um minuto,

Era à ela que confessaria todos os desejos que tenho calado. 
Para isso... apenas minha boca, minha saudade e uma só palavra…

O teu nome, o teu nome, o teu nome...


Maria Lucas 



29 de setembro de 2013

Sede



Despe-me com teus olhos,
Arranca-me a pele que me protege do medo da tua ausência
Veste-me do toque das tuas mãos
E arrasta a tua boca na minha
Até que o teu gosto seja a única verdade que me sacie
E o meu nome seja a única palavra que te cale

M. Lucas

E que me perdoem aqueles que acham isto tudo um exagero mas,
como diz Victor de La Hoz, “A verdadeira loucura é demasiado complexa
para almas superficiais”, ou ainda J. Castro, “ o suficiente me deixa querendo mais”.

Viver é ter sede.

27 de setembro de 2013

Tradução




"_______Só o silencio traduz a imensidão do que hoje grito."

M. Lucas

Um esclarecimento:
"Os poetas não são azuis nem nada, como pensam alguns supersticiosos,nem sujeitos a ataques súbitos de levitação.O que eles mais gostam é de estar em silêncio - um silêncio que subjaz a quaisquer escapes motorísticos e declamatórios.Este impoluível silêncio em que escrevo e em que tu me lês.
Mario Quintana

15 de setembro de 2013

7 de setembro de 2013

Na Ponta dos Dedos





Sou qualquer coisa que se faz forte no vazio da ausência
E se desfaz inteira pela doçura de mãos que trazem amor
na ponta dos dedos.

31 de agosto de 2013

Sobre Felicidade



Descrever felicidade é ter a consciência da fragilidade da sua substância.
Nunca encontrei a mistura de palavras capaz de traduzi-la, 
embora esse fosse meu sonho.
Ontem “vi” a definição de felicidade:
Uma criança a correr aos pulos, atrás de bolhas de sabão.

E apeteceu-me o silêncio


8 de agosto de 2013

Recolhe-me



Nasces-me das mãos a cada poema que escrevo
Preciso recitar-te diariamente para que não morras
Talvez nunca te encontre, talvez nem se quer te reconheça.
Escrevo para manter-te vivo mesmo temendo que não existas
Sonho que te reconheças em meus versos
e recolhas com beijos de primavera
as minhas mãos já cansadas do inverno da ausência 
dos teus olhos nos meus
Maria L. Lucas

4 de agosto de 2013

Saudades



Sinto-me (por esta frase) como se fosse uma pessoa despedaçada
Por tantos caminhos que escolhi, deixando tantos para trás.
Consolo-me sempre pelas palavras que derramo:

A vida é feita de saudades, das vividas e das não vividas
As vividas, por terem sido doces, são a substância dos nossos sorrisos
As demais, são a intensidade das nossas almas.
A matéria-prima das noites insones
E a força das palavras do poeta

Minha alma intensa do que não fui
Sorri por ter sido tanto
E por isso escreve.

Ela,
Não eu.

Eu apenas sorrio.

2 de agosto de 2013

Resto

Dia desses, no livro que estou a ler, parei, suspirei e pensei:



Ser feliz é saber se ver por dentro

Ser feliz é deixar poucos restos por viver

Pois se a gente sufoca a vida demais

Morre antes a vida acabe.


Permita-se

30 de julho de 2013

Amigos Imaginários




“_Vamos até ali, vem comigo!”

E porque pensei que era para mim, assim meio a estranhar, olhei para a senhora que falava alto e sorria ansiosa à espera de alguém.Não, não era comigo que ela falava e, como a essa hora da tarde já havia muita gente a passar por lá, muita gente se virou também pelo mesmo motivo.Ouvi muito riso escondido, gente a balançar a cabeça para os lados, outros mesmo a rir às gargalhadas, a caçoar da pobre.
Confesso que até mesmo eu senti pena da senhora. Ver coisas, pessoas imaginárias, sair do nosso juízo perfeito, não deve ser algo muito agradável.

Mais à frente vi uma outra senhora vestida de um jeito muito “sui generis”. Calças largas coloridas e amassadas, ténis muito velhos, um casaco verde já puído e o toque mais interessante era um chapéu com abas enroladas, o que lhe dava um ar retro chic, trash, doido….chamem-lhe o que quiserem, mas talvez por isso tive a curiosidade de saber o motivo que a fez parar assim tão bruscamente para a foto que resolveu tirar.
Lá em cima de uma estrutura antiga, havia uma espécie de bebedouro para pássaros, só podia sê-lo, uma vez que estava a uns 3 metros de altura. Duas pombas a banharem-se juntas, espalhando gotas de água que reflectiam a luz do sol, formando uma imagem no mínimo curiosa e bela.
Eu não vi o banho dos pássaros em nenhum dos outros dias em que passei por ali.
Ninguém o viu, só a moça estranha de roupas improváveis e sapatos gastos.
Eu não vi o amigo imaginário da pobre senhora.
Ninguém o viu, só a senhora, de juízo fraco e jeito alegre.
Fez-me pensar quem estará em seu juízo perfeito.
Quem será verdadeiramente feliz.
Quem só enxerga a “verdade” universal?
Ou aqueles que acreditam que há algo para além da nossa encarcerada noção de juízo?


Ok, ninguém ri de nós, pois não temos amigos imaginários. Ninguém caçoa das nossas roupas, pois nos vestimos sempre muito bem e na moda. Estamos todos muito bem encaixados na normalidade burra e monótona da sociedade. Todos ajuizados, certos de que por isso somos muito felizes.
Honestamente e sinceramente….
Precisamos de perceber que talvez a felicidade esteja nesses encantamentos escondidos pelos cantos da vida e não nas explosões de sentidos ou nos prazeres mundanos que o dinheiro compra.
Precisamos procurar pássaros que se banham ao sol.
Precisamos de mais amigos imaginários.

E para quem acha que estou fora do meu juízo perfeito, sorrio como a pobre senhora e sigo em frente com o meu amigo imaginário.
E ele tem nome.
É a poesia que trago no peito.
É ela que me faz ver diamantes nas pedras do meio do caminho.
E porque acredito…o meu caminho tem brilho.
Amanhã comprarei um chapéu de abas enroladas e sairei à procura de pássaros que ninguém vê.

27 de julho de 2013

Entre o Alvo e a Seta


Quem me dará o que mata a sede e o que tira o sono?
Quem acordará meu sonho e secará minha mágoa?
Quem me dará a mão e abraçará meu ventre?
Quem fará da voz meu alento e do corpo meu tormento?
Quem me trará suspiros de gozo e fará dos meus olhos seu repouso?
Quem me somará o que sempre me é subtraído?
Quem fará morada em minha alma e dormirá em meu sono?
Quem me trará verdades doídas num manto quente de aconchego?
Quem suportará o meu amargo em troca do meu doce?
Quem trará o brilho nos olhos à espera dos meus afagos?
Quem será imenso e infindo por ser caminho e substância?

Talvez não se encontre nunca o que se busca
Mas a busca é algo entre o alvo e a seta
E no meio do caminho, o vento no rosto,
 os encontros e despedidas, 
os encantamentos e as desilusões
Fazem a história de uma vida.
Que será tão mais vivida quanto maior a coragem 
de manter a velocidade da flexa, 
mesmo que nunca encontre o destino,
 sempre deixando o perfume da promessa 
espalhado pelo meio do caminho


25 de julho de 2013

Poesia Muda


Com os olhos derramados nos meus
Misturou em meus sentidos o seu hálito e a sua voz,
a pedir ansiosamente pela minha poesia.


Saíram-me as palavras num sussurro lento
enquanto meus olhos perdiam-se nos traços daquele rosto:

_Quem sabe um dia, por destino ou por merecimento,
seja a tua boca o meu tormento?
--------------------------------------

Quantas palavras podem ser ditas no grito mudo de um beijo?

E essa foi a mais bela poesia...

a que nunca foi dita.

21 de julho de 2013

Segredos





Faz-me prisioneira das tuas mãos
Engole a minha boca
Afoga-me com a tua saliva
respira a minha alma entregue
e conta-me em gemidos aflitos
os segredos que até de Deus escondes


Maria Lucas

17 de julho de 2013

Perdidamente

De longe vim e, com os olhos cheios de sonhos, te encontrei
Não foi por ti a minha chegada, nem foi por ti que chorei
Foi pela esperança sonhada, foi pelos sonhos criados

Perderam-se pelas tuas ruas meus sonhos tolos
A esperança atirou-se pelas tuas sete colinas
E as lágrimas choradas como um fado, 
espalharam-se pelo teu Rio Tejo

E de repente, como a noite se faz dia
Encontrei novos sonhos nas pedras das tuas calçadas
Uma esperança em cada uma das tuas colinas
E o teu Tejo….ah o teu Tejo...
Há lágrimas minhas….no teu Rio Tejo

Eu não vim por amor a ti
Mas foi por ti, pelo teu chão
pela tua luz, pelo teu céu e pela tua Gente
Que me apaixonei, perdida e irremediavelmente
Desses amores dos quais a gente não se arrepende

Hoje, Lisboa é o meu sonho

Maria Lucas
Escrevi pois gostei dessa campanha:
Clique aqui:  Lisboa é o Nosso Futuro



14 de julho de 2013

Nómade


Aqui está a casa que não foi queimada
Os brinquedos que a criança não guardou
A árvore podre que não foi cortada
Deixando à mostra 
A falta de  CORAGEM
A falta de OUSADIA
A falta de AMOR 

E tudo ficará como está 
A lembrar  como termina tudo aquilo
Que não teve fim
E nem deveria ter tido começo

Façamos como faziam os antigos nómades
Sigamos em frente
E que o destino deseje que o novo
Seja mesmo merecedor de começar.


"...Nessa estrada

Só quem pode me seguir sou eu 

Sou eu, sou eu, sou eu.."


      Noturno_ Fagner


4 de julho de 2013

Pequenos Deuses Humanos


“Presta atenção naquilo que é pequeno”


Dizia-me com frequência um amigo, sempre que tinha bebido uns copos a mais.

Achei que brincava com a sua estatura, uma vez que tinha uns bons centímetros a menos que eu. Longe estava eu de saber a real intenção daquele homem que tinha a sensibilidade inversamente proporcional a altura.

Numa livraria, ainda esta tarde tive uma visão inusitada. Um homem “maltrapilho” a destoar com as estantes cuidadosamente limpas, cheias de livros e cultura.
Como se não me bastasse a visão, reparei que o mesmo folheava interessado, um romance. Até poderia ser qualquer um, mas “Orgulho e Preconceito” era demais.
Pensei mesmo que devia desistir dos meus óculos de uma dioptria comprados no chinês e consultar um oftalmologista à sério.
Ele notou o meu ar pasmado e sorriu para mim, pouco tempo antes de ser gentilmente convidado a sair, por um funcionário do local.

Numa outra situação me senti de modo semelhante como hoje, e foi há muitos anos atrás, quando ainda andava de transportes públicos no Rio de Janeiro.
De pé estava uma senhora de idade e, de pé teria continuado, se dependesse somente dos “cavalheiros” presentes e sentados, mas felizmente para ela e para o que escrevo agora, levantou-se uma menina com os seus prováveis 7 anos, sem que fosse preciso nem um leve toque de sua mãe, que penso ter ficado surpreendida, pois fez uma expressão muito semelhante à minha ao ver o inusitado sábio maltrapilho.

Hoje penso que entendo o meu pequeno grande amigo quando me mostrava que muitas vezes o tamanho de uma pessoa se faz mais por suas atitudes que pela genética caprichosa da junção de cromossomas perfeitos.

Ser grande, ser belo é ser capaz de salpicar de luz a rotina cinzenta de nossa humilde condição humana com o pouquinho de divindade que trazemos na alma.

Um brinde aos pequeninos, meu amigo…um brinde à ti, onde quer que estejas.

27 de junho de 2013

Pelas Palmas das Mãos



É quando o tempo se dilui nas brancas horas do encanto
Que dois amantes se enxergam pelas palmas das mãos
numa sofreguidão de quem tem fome
_e come…
a pele, o corpo, as curvas,  os vãos que se escondem
Que dois amantes se enxergam pelas palmas das mãos< no desespero de quem tem sede _e bebe… >
da saliva, do suor, e do visgo que se exibe
Até que tudo se confunde
Até que tudo se mistura
Até que tudo se dilui
É quando a vida faz sentido 
Nas horas brancas do encanto
Em que dois amantes que se enxergam pelas palmas das mãos

26 de junho de 2013

Um Lugar com Nome de Mulher



Hoje revivi emoções antigas, de momentos especiais que passei num lugar mágico e único, por sete anos da minha vida.
Inspiro fundo e consigo sentir o cheiro daquele vento e o calor gostoso que me envolvia, não sei se da brisa ou se da gente do lugar.
Um lugar com nome de mulher e paisagens de paraíso.
Disseram-me até que ainda existe algo meu naquelas paredes e ouso pensar que com um pouco de sorte também eu ainda esteja, de alguma forma, na lembrança das pessoas que tanto amei por lá.
Cito uma frase de Carlos Ruiz Zafón no livro A Sombra do Vento
“_Cresci no meio de livros, fazendo amigos invisíveis em páginas que se desfaziam e cujo cheiro ainda conservo nas mãos.”
Os amigos que fiz nesse lugar, têm cheiro de bolo de chocolate saindo do forno.
Não importa quanto tempo passe, nem a distância imensa atrapalha. Quem foi especial estará para sempre em nós. Acredito que Einstein tinha razão…”Para estarmos juntos não é preciso estarmos perto e sim do lado de dentro”.
Quando penso naquele tempo, uma felicidade mansinha vem de repente, coisas que só sente quem sabe que amigos de verdade, estão à distância de um bolo de chocolate saindo do forno.
Esta noite sairá do meu forno um bolo de chocolate
E eu vou lembrar do que fui…

23 de junho de 2013

Descoberta


Desejo o teu mistério,
que é tudo aquilo que eu ainda não sei.
Deixa te descobrir devagarinho,
como o mel que escorre,
como se fosses infinita para mim,
mesmo que nem o sejas.

M. Lucas

16 de junho de 2013

Asfixia


Certas imagens que vejo por aí ficam na minha cabeça
e por impulso ou exercício
necessito que tenham história.
Gosto de imaginar que os conheço e sei o que sentem...




"Quero tatuar os meus segredos na tua pele
Com as pontas dos meus dedos
E respirar o teu desejo
Espalhado como estrelas pelo céu da minha boca
Asfixiar-me de ti até que amanheças sol
Em meus olhos."


Maria Lucas

14 de junho de 2013

Por Brilho



Uma pequenina luz vem crescendo teimosa
Me acariciando de leve, talvez para não me assustar
E eu com mais medo que ela
Por já se mostrar bem capaz, mesmo tão pequenina,
De acordar a poesia que tenho tentado matar


Que seja verdade e não sopro
E não me ilumine se não for para brilhar.
E ficar...
Hoje penso poder finalmente entender este poema de Pablo Neruda:
“Me encante com uma certa calma, sem pressa. Tente entender a minha alma.”

13 de junho de 2013

Fragilidades



As mudanças quando chegam costumam vir de todos os lados
expondo fragilidades que tentamos guardar só para nós.
E não é que no meio da ventania alguém se encanta
justamente com o que se tentava esconder?
E eu ouvi:
"_Deixa que a vida levante a tua saia, menina....
e que o vento da mudança leve o que é frágil e vão
e traga o que é teu e é são.
Pois só o que vale a pena correr atrás na vida é aquilo que quer ser alcançado!"
Há que haver concordância entre o desejo e o desejado,
o resto é lamento....e eu lamento.

11 de junho de 2013

Mais um Poema de Mim.



Para quem deita seus olhos aqui, seja quem for...
Não se assuste com o que escrevo.Não sou literal, eu exagero em palavras o que vivo e o que sinto
Não que não seja verdade a palavra escrita
Mas é minha mania a de explodir as emoções que vivo.
É o que me alimenta e me engrandece aos meus olhos.


Perdoo-me o exagero e como disse Pinto Monteiro:
"_Poeta é aquele que tira de onde não tem e põe aonde não cabe."
Mais um poema de mim.
Não possuo dotes ou ouro

Nem sangue de nobreza
Não persigo tesouros
Nem me seduz a riqueza

Meu ouro é a minha alegria
Nobreza é de comportamento
Tesouro que herdei de família
É brilhar por fora e por dentro

De tanto chorar quase liquefazia
E no instante seguinte era arrebatamento
Viver e morrer por fazer poesia
Só levo daqui o meu transbordamento


Maria Lucas

Até o Vento Respeita




Não é que eu procure a poesia sempre
mas é que ela, teimosa e exibida como costuma ser para mim,
às vezes se atravessa a minha frente sem eira nem beira.
E eu gosto.

Lá vai meu agradecimento ao inusitado, por me fazer parar e encher a alma de luz.
Deu até vontade de criar algo que fosse doce como o momento:

"Aqui tudo passa sem pressa
Até o vento respeita
E quem vem de fora confessa
Que a vida assim é perfeita."


Maria Lucas

9 de junho de 2013

Morte Lenta



Hoje ele é apenas uma sombra do que foi.
Ironias costuradas em teias de sorrisos e carinhos mornos,
Uma frieza sombria envolta no calor de suas mãos quentes.
Mas ela ainda o quer, frio e irónico.
É mais forte do que ela.
Enquanto a teimosia de sua memória
for mais forte que a razão que lhe escava os olhos,
Enquanto o seu vício de sugar as delícias que ele ainda traz
for maior do que o frio que sente ao vê-lo sendo um estranho.
Até que ela aceite,
Com a serenidade de quem morre
Que há muito…
já era tarde para os dois.


Maria Lucas © Junho de 2013

24 de maio de 2013

Bem Passado, por favor!





Eu sou fascinada pela palavra passado e, cá entre nós, essa conversa de viver o momento e esquecer o passado serve para duas coisas, uma a de nos fazer cometer os mesmos erros de antes e a outra é desvalorizar os bons momentos que vivemos, aqueles que nos deixaram um sorriso frouxo só de lembrar
ou mesmo os olhos molhados por sentirmos novamente a saudade do que fomos e do que provamos um dia.
Guardo nas rugas do sorriso as alegrias passadas e o brilho que trago nos olhos, é fruto de muitas lágrimas e de muito amor.
Abençoo cada pedaço do corpo que cedeu à gravidade da vida que vivi e guardo com orgulho os retalhos de panos bonitos que Deus foi tecendo em minha pele, para cobrir cada rasgo que a vida causou.
No final das contas minha cor, meu cheiro e meu calor são heranças de tudo aquilo que tive a ousadia de viver, a força de manter e a sabedoria de deixar partir.
E que venha o futuro com mais cores, remendos e sabores pois não me canso de crescer e de coleccionar histórias para contar por aí.

Mais um remendo...

Ah…e bem passado,  por favor!

Maria Lucas © Maio de 2013

22 de maio de 2013

As palavras que não dizes



http://browse.deviantart.com/art/Give-me-your-word-63233471


Tua boca arranca de mim todo o comando
E apodera-se livremente da minha vontade
Não pelos beijos que me queimam
Nem pelos gemidos que me cegam
Mas pelas palavras que não dizes
Pois se as dissesses arrancarias o último juízo
Que ainda habita em meu peito

Guardas-me a sanidade no teu silêncio.

Maria Lucas

19 de maio de 2013

Osmose



Chegaste-me por um caminho inusitado,
Por portas que julguei trancadas.
Chegaste-me sem aviso, sem preparo
Com um cheiro bom e inebriante
Num dia nublado e sem brilho
Penetrando-me com emoções inusitadas.
Aqueceste-me o peito por dentro
Apenas com palavras…
Mas das que surpreendem e arregalam os olhos
E agora ponho-me a imaginar como seria
Encontrar os teus olhos de poeta nos meus
E ter, pelo toque das tuas mãos,
A tua poesia doce
Escrita na minha pele.

E a porta não estará trancada desta vez….

Maria Luca

13 de maio de 2013

Inspiração


Falta-me hoje a poesia
Sobra-me então a serenidade
Mas que curiosa ironia
Sentir saudade da saudade
Que me causava agonia
Mas que me inundava de fantasia
Ah triste sina essa de poeta
Que se desespera mais pela morte do amor
Do que pela perda do ser amado
Porque os mais belos poemas de amor
Nascem de um poeta apaixonado e sua dor
Ou de seu coração remendado.


Para quem se diz sem inspiração....até rimo.
Doida que eu sou...

3 de maio de 2013

Dia de Mãe



Para falar da minha, preciso falar um pouco de mim:
EU: adoro pizza, como devagarinho saboreando o gosto do molho. Primeiro as bordas, até chegar na ponta, repleta de queijo. Adoro ovos fritos, com a gema meio mole.

MINHA MÃE: mulher humilde, aprendeu a ler sozinha e ainda lê bem devagar.
Teve infância sem carinhos ou sonhos, de fazer Cinderela pensar que seus dias de borralheira eram de felicidade pura.
Minha mãe continuou borralheira até o final. Não viu príncipe, carruagens, vestidos de baile ou sapatinhos de cristal.
Ficou mesmo pela abóbora e o avental de cozinha.Não entendia de romantismos, nem percebia muito dessas coisas de amor.
Mas guardava todas as pontas das pizzas e todas as gemas pra mim, sem precisar que eu pedisse.
Minha mãe não entende de amor, esse luxo de Cinderela…
Mas ela nem desconfia da sua maestria nesse assunto…

Transborda-lhe o amor pelos poros e ela nem percebe.


Maria Lucas © Maio de 2013

1 de maio de 2013

Pele de Poeta




Gosto de pensar que os olhos que me lêem são como línguas sedentas de poesia
Gosto de pensar que passo a ser dona desses mesmos olhos,
nem que seja pelo curto instante da leitura.
Cubro-me dos sonhos que outros também ousam sonhar
Exponho-me de sentimentos que outros também podem sentir
Confesso desejos proibidos que outros sonham fazer
E nesse encontro sinto o toque de outros dedos na pele de seda da minha inspiração
Assim, duas almas se encontram
Assim, duas almas se tocam
Pelo simples prazer de amar poesia
Nem que seja pelo curto instante da leitura
Pelo curto instante em que teus olhos são meus

Maria Lucas

23 de abril de 2013

Queres Saber a Verdade?


Queres saber a verdade?
Há pouco a descobri...
Eu sonhei-te em cores que não existiam.

Maria L. Lucas


14 de abril de 2013

Hoje é Dia de Saudade



Deixou-nos ontem o pai de um grande amigo meu.
Lembro-me do meu pai, como não lembrar?
Não era de carinhos ou de afectos, dizia que me amava com uma palmada de leve na cabeça, modo meio avesso de amar, e que levei muito tempo a traduzir.
Um dia tive a certeza de que era amada por ele de uma forma também pouco convencional.
Quis aprender a pintar, achando que essa era a minha arte e, ele disse:
_Eu acredito em ti, minha filha. E ante a minha dificuldade em quantificar a crença dele em mim, disse ele:
_Estás a ver a parede da sala? Pinta lá o que quiseres!
Eu pintei…um cisne (patinho feio seria o adjectivo mais próximo da realidade do meu cisne).
Para o meu pai era mesmo um cisne.
Soube que ele me amava, pois por muitos anos o cisne permaneceu pintado naquela parede.
Não, nunca tive o luxo de uma demonstração típica de afecto por parte do meu pai.
Nem o precisei.


Tinha o meu cisne na parede da sala.

Maria Lucas


1 de abril de 2013

Paixão



De surpresa, ela vestida de muito desejo e vontade,
Tocou de leve na porta daquele à quem não via há muito
Trazia nas mãos a ânsia de toques e na boca a falta de ar da saudade
Muda, de tanto a dizer gritou, num silêncio que o acordou do sono
Pelo vão da porta aberta olharam-se com medo e ardor
Num queimar fervilhante dos peitos à ponta dos dedos dos pés e das mãos
E como estranhos romperam numa sofreguidão de medo e paixão
Arrancando a roupa, a distância e toda a raiva contida
E num instante ela foi possuída por loucura e vontade consentida
Ao mesmo tempo em que completamente entregue foi quem o devorou

28 de março de 2013

Desejo



Guardo em ebulição meus sentidos sob a pele fria que me cobre
Enquanto aos desatentos pareço apenas um sereno corpo morno

Não se enganem…
Meus sentimentos e emoções aflitas esperam ansiosas o instante de libertação.
Por vezes até oiço seus ruídos no vão entre as clavículas
Não, não me toque o peito desnudo, pois
Avizinha-se a minha tempestade
E prefiro que apenas me fique por dentro
Num mudo e violento espanto
É minha sina… a de tremores eternos
E tremo de saudade da mão que me liberta
E treme e geme e queima comigo
Porém,
É minha sina também…a de saudades eternas
Então resignada, tremo por dentro…
só por dentro.

>Maria Lucas

26 de março de 2013

Profundo



Eu viraria o mundo
Te traria o fundo
Todo o amor que abundo
O meu chão fecundo
Num abraço profundo
Se por um segundo
Só por um segundo
Te dissesses meu
Te fizesses meu

Só por um segundo meu

Maria Lucas

25 de março de 2013

Anjos



Habitam anjos em meu mundo
Uns vem e não se detém
Outros ficam a olhar de longe, como quem vela
Outros ainda, ficam por mais tempo
Alguns insistem em morar por dentro
E pra quem pensa que não sou feliz,
Acho graça e digo de chofre:
Como não sê-lo?
Habitam anjos em meu mundo...

Mª Lucas.

19 de março de 2013

Poema do Amor Impossível

É sempre bem vindo um poema, mais ainda um belíssimo poema.
Penso que é lindo, não somente por ter sido feito para mim, mas porque é mesmo de uma doçura ímpar  (especialmente o diálogo de Deus com Rui.)

Obrigada meu querido amigo, nem sabes como me fizeste feliz por causa deste mimo!


Poema do amor impossível dedicado à impressionante Maria Lucas (confessa apaixonada) 
Sonhada Alma Gémea.

PRIMEIRO: Confissão

Deus, confesso o fascínio.
O meu corpo, a minha alma
Sentindo-se em declínio,
Pretendiam aportar no silêncio dos dias,
Esquecer ilusões de amores,
Fantasias de sabores
E adormecer na calma
Da ausência de desejos joviais...

Pedi-Te em prece sentida
Que permitisses à minha vida
Dissipar-se sem tremores,
Envelhecendo serena e monótona,
Imune aos dissabores,
Às ânsias e fervores
Resultantes da ilusão...

Prostrei-me suplicando-Te proteção!
Pedi-Te que secasses o meu coração...
Pedi-Te que impedisses o meu corpo
De pulular em turbilhão...
Que me cegasses à afeição.
Pedi-Te o fim da esperança
Seguro de que a bonança
Surgiria do meu desprezo aos sentidos...

E traíste-me, Deus...
Pedi-Te o vazio 
E ofertas-me um calafrio?!
Pedi-Te a letargia
E ofertas-me a euforia?!
Pedi-Te a escuridão
E Tu!
Mostras-me a intensa luz da tua poesia?!

Oh, inglória vontade de cessar o amor em mim,
Que desígnio insondável move a Tua crueldade?
Acaso desconheceis que a minha idade
E a distância do amor imenso
Não permitem a veleidade de tocar no cetim?

Aquela mulher não é para mim!
Não podes condenar uma doce Deusa
Ao martírio do convívio
Com um desventurado mortal!
Não podes pretender mesclar a fealdade
Com beleza pura!
Seria loucura!

Já te detiveste a olhar a Tua obra?
Tens a noção da perfeição que encerra?
Reparaste na ternura dos cabelos,
Estendidos como raios de ouro
Abraçando a pele?
Notaste a cor de mel da tez?
Viste como os braços esguios
Anunciam a tranquilidade dos gestos?

Deus, como permites meus pensamentos grotescos?
Como aceitas a heresia que me atravessa o espírito
Ao sonhar um dia poder tocar,
Poder conspurcar com minha saliva
Aquela ternura impulsiva?
Aquele corpo de diva?

Faz-me esquecer...
Prefiro o mais fervente dos infernos...
Tortura-me em martírios eternos,
Mas apaga esta sensação
Que grita na garganta
Que palpita pelas veias
E arrasa o coração...

Não, meu Deus, não!
Eu não quero esta paixão!


SEGUNDO: Deus em mim.

Rui, tu também és meu filho!
O brilho das Minhas mãos
Ilumina todos os teus irmãos
Tal como a ti...

Eu sou amor sem forma,
Sou brisa que alimenta,
Sou carícia na tormenta,
Sou sorriso dentro de ti...
E sim, não te permito desistir!

O amor que sentes florir
É tão só a vida que te doei
Fluindo em torrentes de perfumes
E riachos de alegria.

Não te assustes se te parece indomável,
Nenhuma bênção Minha é controlável...
E não pretendas tornar palpável
O entendimento da emoção.

O teu queixume diverte-me!
É o crepitar dos medos
No lume da paixão...
Mas confia em ti, Rui...
Só um fraco anui
Aos brados da covardia.

Pensa!
Preocupa-te o teu corpo?
A fealdade trazida pelo inevitável
Trote da idade?

Sentes o amor no teu corpo
Ou na tua alma?

Todos os meus filhos são amantes
De almas, não de carne...
Mostra-te sem temor
E quem sabe (senão Eu)
Encontras na verdade
A recompensa do Amor

E falas-me na distância?!
De um oceano de água salgada?!
Sabes tão bem quanto Eu
Não representar nada...
Basta que o olhes de frente,
Como no passado, a tua gente
E o transformes numa estrada.

E nem precisas de caravelas,
Faz das tuas palavras, novas velas,
Faz da arte que te permito, o teu mastro
Faz do teu canto o teu lastro
E ruma ao desejo!

Os meus suspiros serão teu vento
Os meus sorrisos o teu bom tempo
E o mar apenas te embalará
Como o sonho dos braços dela. 

17 de março de 2013

Espera...Um poema de amor



A queixar-me (comigo mesma) nunca ter recebido nenhum poema de amor, decidi despentear o passado e com profunda emoção, estava enganada....recebi sim, um poema, de alguém muito importante para mim. Gostaria de vê-lo novamente, sim. 

Todo o Amor deixa saudade.

A trilha segui entre arbustos densos,
Denso de medo, denso de paixão.
Pegadas ao chão, cheiro de tensão.
 O trilho ouvi e o trem não vem,
Ouvi seu apito e ela não vem.
 No vai, no vem,
Entre muitos, sem ninguém.
Entre murros, entre mares
Esperarei.
 Senti o calafrio do calor da mão,
Senti o teu tocar.
Olhei e achei que era.
Era de uma era, era de muro e de flor,
Era de encanto e de amor.
Contudo, era uma vez...
 Mergulhei, mas não me molhei,
 Caí, mas não me machuquei,
Chorei, mas não me ressequei.
Bebi e não me embriaguei.
 Naveguei, porto não encontrei.
Afundei e não senti o fundo do céu,
Do mel, do véu,
Da noiva que não veio.
 O mensageiro veio sem nada,
O carteiro esqueceu de entregar a carta.
 Olhei o mar e o horizonte não tinha sua linha
Não havia cor de paixão,
Nenhum navio vinha.
Havia uma vinha e do seu fruto apenas provei.
Não me fartei, não te falei.
Sei que falhei, sei que deixei, mas sei que te amei...
 Esperarei. 

 J.M.

15 de março de 2013

Inauguro-me





Tenho andado distraída, e por andar assim como quem voa
Quase não percebi o tanto de chão que passou por mim
Abro agora os olhos pro que me toca e me atordoa
Pois a vida é curta demais para ter, antes do tempo, um gosto de fim.

Inauguro-me


Maria Luca© março de 2013

12 de março de 2013

Falta Coragem






Morava sozinho. 
Morreu de repente, rodeado por milhares de livros, 
documentos, fotos e testemunhos de gratidão de instituições científicas. 
Quando examinaram tudo aquilo, encontraram um papel azul com o início de uma confissão: 
"Eu queria ter sido actor."

David Lagmanovich 


"E porque o amor merece coragem e alimento....
aqui adormeço o teu capítulo"

11 de março de 2013

Infinito Particular

Desconheço a autoria da foto

Há sempre a promessa de uma poesia inesquecível, como um grito mudo e ensurdecedor,
enquanto andas assim, perdido, em meu infinito particular de sentir-te.
Procuro por ela (a poesia), ainda dormente de saudade
 por entre as batidas do teu coração ateu.

Serás eterno quando ela nascer.


Maria Luca© março de 2013