5 de fevereiro de 2012

O Beijo Teu




De repente meus olhos perdem-se no infinito de uma parede branca 

trazendo imagens de minha retina à iris, num caminho inverso de saudade.

Já nem me importo mais se devo deixar, permitir, ou sequer se é certo,

porque a memória destes lábios tira-me o chão da realidade,

arranca-me os pulmões com que respiro e sobrevivo teimosamente.

E suspiro, sibilo, vacilo diante de lábios que não me respeitam,

não desistem, não hesitam, não desconhecem o caminho do que nunca percorreram, 

lambem a pele que nunca vista já lhe era vassala e deixam rastos de desejo líquido

num desconsolo desconsertante, insasiável e delirante.

Já não me pertenço mais. É tudo teu, como é teu e será (pra sempre)

tudo o que teus lábios naquele dia tocaram.




Para mim...

hoje...

só saudades doridas

e uma parede branca





Maria L. Lucas

-desconheço a autoria da foto

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