26 de fevereiro de 2012

O Homem Que Eu Amo


O Homem que eu amo é predicado sutil. Tem de ter cara de homem e jeito de menino. Tem de ter fala mansa, que acalme, para poder descansar o desejo que me provoca. Pode acordar de olhos inchados sim, me beijar a boca sem aviso mesmo sem ter escovado os dentes, mesmo que eu faça muxoxo. Levantar de pronto em dias de trabalho, mas se for domingo, deve saber rolar e enrolar entre lençóis comigo. Tem de ter músculos exactos, nem muito, nem pouco, o bastante para me prender nos braços em noites de lua cheia. Tem de ter sabedoria, histórias para contar, daquelas que prendem os olhos, mas se não tiver, que aceite vivê-las comigo. Tem de ter cheiro gostoso, próprio, além do perfume, algo que lembre mato, mata, vento e homem. Tem de ter risada gostosa e saber rir de mim, de minhas loucuras, da minha risada. Tem de ser sério, falar o que pensa com jeito, mesmo que lhe custe aborrecimentos, pois o carácter de um homem é muito de seus músculos e, apesar de tanta força, ter mão leve, de lamber com dedos, de apertar com carinho, de arrepiar pelos e nuca, de me arrancar gemidos exactos. Tem de gostar de surpreender, mandar flores, não apenas rosas, falar loucuras em horas impróprias, calar minha boca com beijos impróprios, mudar os planos, cometer enganos, pedir desculpas, gostar de chuva e de pipoca, ou chocolate, leite condensado, champagne e morangos. Tem de saber ouvir: rusgas e "eu te amo", gostar de carinho e de cafuné, saber chegar de mansinho, sem avisar, beijando a nuca e abraçando a cintura. Em outras horas me buscar com peito e jeito até machucar.
O homem que eu amo, tem de trazer em si, tudo e comigo deixar esse tudo para se preencher do "nosso" tudo. O homem que eu amo é simples e complexo. Um lorde de dia, um louco à noite. Um príncipe pelas ruas, um bandido na cama. Um herói por vezes, um comum na maioria delas. Um amigo nas duras horas, um amante para toda vida. E principalmente...não mais que de repente...se saber infinitamente...

Idolatrado por essa mulher.

Maria L. Lucas


Desconheço a autoria da foto.

8 de fevereiro de 2012

Eu Amo


Eu amo!
Eu voo sem asa!

Maria L. Lucas




Foto: Flying to my dreams, by light-from-Emirates

5 de fevereiro de 2012

O Beijo Teu




De repente meus olhos perdem-se no infinito de uma parede branca 

trazendo imagens de minha retina à iris, num caminho inverso de saudade.

Já nem me importo mais se devo deixar, permitir, ou sequer se é certo,

porque a memória destes lábios tira-me o chão da realidade,

arranca-me os pulmões com que respiro e sobrevivo teimosamente.

E suspiro, sibilo, vacilo diante de lábios que não me respeitam,

não desistem, não hesitam, não desconhecem o caminho do que nunca percorreram, 

lambem a pele que nunca vista já lhe era vassala e deixam rastos de desejo líquido

num desconsolo desconsertante, insasiável e delirante.

Já não me pertenço mais. É tudo teu, como é teu e será (pra sempre)

tudo o que teus lábios naquele dia tocaram.




Para mim...

hoje...

só saudades doridas

e uma parede branca





Maria L. Lucas

-desconheço a autoria da foto