2 de abril de 2011

A Dominadora

Fiz este texto em homenagem a uma grande amiga e seus descaminhos.

Desde menina traçou seu destino,
estrada sem verdes, sem fruto, sem sol.
Amor só sentiu da brisa nos seios.
Do sol os anseios cobriu, esqueceu
no mesmo canto onde guardou a menina
que andava faceira troçando das teias
de medo e pudor que a moça tecia
pra não se lembrar.
Fechou aos passantes o seu coração,
pra eles só tinha o corpo em entrega.
_Na pele não dói, a pele é mordaça
e qual carapaça rechaça o torpor!
Fingia que amava aquele que amava
e suja de pranto chorava de amor
Um dia um sonho chegou-lhe mansinho
assim de fininho pra não acordar,
e a moça cansada de pranto e de espanto
morreu no acalanto de um doce cantar.
E dizem que a noite levou sua vida
A vida bandida, sem pena e sem dó.
Mas dizem também que o fim é começo
e o fim foi travesso tal qual o luar.
A lua redonda sorrindo baixinho,
piscou pra menina que tomou seu lugar.
Ainda me lembro da moça valente
que toda contente brincava de amar
Mas essa menina é mais convincente
Traçou seu destino e lhe fez acordar.
Eu torço pra ela, eu canto pra ela
Que seja feliz, se for pra lavar

Maria L. Lucas

Foto: Minzile http://minzile.deviantart.com/
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