4 de dezembro de 2010

Vestida de Água e Espuma



Dura pele que tudo guarda e protege.
Não é possível penetrá-la, não sem dor ou força.
Tudo o que magoa entra e dificilmente sai,
como a avisar o quão mais dura deve ser, pra ser;
ao menos por mais tempo.
E toda a nossa vida se resume a construir um muro de proteção.
O problema é que a dor também deveria sair, fluir, esquecer, perdoar.

Hoje aprendi.
Evaporei minha dor com o calor do meu banho,
mandei meus medos acompanharem a água que me lavou,
e a maldita saudade do que não tenho, também me deixou,
arrastada pelo macio toque da toalha de algodão.

Estou tão feliz quanto leve,
vestida de água e espuma
e meu banheiro cheira tão bem...


Maria L. Lucas
Desconheço a autoria da foto
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